Quando olhamos para a construção de uma casa identificamos que existe uma base, ou seja, uma estrutura que sustenta uma construção. Qual é a ligação que podemos fazer da construção de uma casa com a construção de um relacionamento amoroso com alguém? Talvez o que precisamos parar e refletir seja justamente o que sustenta o relacionamento que estamos adentrando: será que eu realmente me amo? Será que eu vivi o meu processo de aceitação? Será que eu me respeito a ponto de saber que tenho determinados limites?

Parar e refletir que o amor próprio pode ser um importante alicerce dentro das nossas relações é ver o quanto podemos nos valorizar por aquilo que somos. Não se anule por causa de alguém e não se esqueça que você tem valor. Não se despedace para manter os outros inteiros: você não é metade para buscar metades – você é inteiro (a) e pode ter um relacionamento com alguém inteiro (a).
O corpo que temos é um corpo que se ama, que se gosta? Qual é a sua relação com esse corpo que você tem? Corpo físico que tem uma história: todo corpo tem a sua própria história. História que só pode ser enfrentada nos olhos do seu espelho. Você já se olhou hoje? Verificou a quantidade de belezas que moram em você? Beleza da sua cor, da sua personalidade, dos seus olhos, do seu jeito de ser e de encantar o mundo que você vive.

Amar e não parar no corpo: você não é só corpo. Você é mais que um corpo. Tem afeto, tem pulsão, tem psíquico, tem emoção e tem sentimentos. Fico pensando como psicólogo clínico que fazer a escolha pela terapia é fazer uma escolha que atravessa a trajetória desse “eu” que muitas vezes desconhecemos. Se conhecer para se amar, se amar para se conhecer. A gente só ama aquilo que conhece? Como amar alguém se esse amor não pulsa primeiro em você? Como conhecer alguém se esse conhecimento não é vivido por você?

Escuto diversas pessoas LGBTI+ que colocaram o amor próprio dentro de gavetas e trancou.
Por quanto tempo você tem se trancado? Se trancou e não se valorizou, se trancou e adentrou relacionamentos abusivos, tóxicos e se perdeu, ficou preto e branco e se esqueceu de si. Ás vezes precisamos encerrar determinadas relações, porque quanto mais ficamos, menos a gente se ama.

Você tem o direito de se amar por ser quem você é! Este é um direito que só pode ser conquistado por você mesmo. Amar a sua singularidade, amar a tua história, amar e se aceitar: não ter medo de se encarar. Essa música “Who you are” da Jessie J vai dizer exatamente isso: “Não se esqueça de quem você é, não há nada errado com quem você é.”
Por isso: abra as gavetas, destranque os armários, desarme as defesas e não ouça vozes que te façam esquecer das suas cores.
Pinte o universo da cor que quiser e não se esqueça: se for para mudar, mude pela única pessoa que vale a pena: você.

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Jorge Matheus Simões

Jorge Matheus Simões

Colunista - Coluna JM

Formado em Psicologia pela Faculdade Pitágoras, faz especialização em Ensino de Sociologia pela UEL – Universidade Estadual de Londrina.  Trabalha como psicólogo clínico atendendo adultos, casais e famílias. Colunista, escritor e pesquisador em temas que envolvem a sexualidade humana e a população LGBTQI+.

As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor, não refletindo necessariamente a opinião institucional do Coletivo Movimento Construção – Parada LGBTI+ de Londrina. 

Para sugestões de pautas a redação, envie um e-mail para [email protected]