Todo mundo já passou por uma experiência em que se sentiu deslocado do grupo, alguma situação em que sentiu vergonha ou mal-estar apenas por ser ou fazer algo diferente da maioria. Pode ser a aula de educação física para você que não era bom em esportes, ou a festa da escola para você que era mais tímido e não conseguia ser tão falante, até mesmo aquela resposta errada dada na frente de toda a classe. Crianças e adolescentes são experts em identificar essas situações e fazer piadas a respeito, por vezes incessante e excessivamente.
Preconceito, falta de aceitação social e a não identidade de gênero provocam uma série de problemas de saúde mental em meio a nossa comunidade.
Passar anos da vida tentando ser aquilo que não é tem graves consequências emocionais, que podem causar transtornos de ansiedade, Depressão em inúmeros casos chegando lamentavelmente ao suicídio.
Agora imagine que essa situação pela qual você é ridicularizado ou excluído não é algo pontual ou passageiro, mas algo consistente, do seu “eu” algo que seja indissociável do indivíduo que você é.
A violência e os conflitos relacionados a aceitação familiar e social causam uma confusão emocional angustiante. Todas as minorias sofrem com esse tipo de problema mas no nosso caso há essa particularidade que faz toda a diferença, desde pequenos existe dentro de nós esse “esconder” essa ideia de que é melhor que ninguém saiba, para que continuem nos amando, mas não é só dentro de casa que existe esse tipo de situação mas também em outros lugares, tornando-se um hábito quase um mantra interno “não posso mostrar quem eu sou”.
Pesquisas mostram que LGBTIs têm um risco maior de sofrer de doenças mentais além do uso abusivo de substâncias lícitas e ilícitas e uma taxa maior ao suicídio comparada a população cis e heterossexuais
Essas taxas preocupam e nos põem a pensar sobre as razões que levam a esse fenômeno, pois mesmo após o indivíduo se “assumir” e se sentir um pouco mais confortável existem ainda algumas marcas deixadas por anos de uma vida dupla.
Além do mais a falta de preparo dentro dos profissionais de saúde são enormes, sem contar com as experiências de preconceito dentro de consultórios/hospitais (principalmente quando falamos da população trans) fazendo assim à população LGBTI+ adiar ou evitar procurar atendimento médico/psicológico.
Mas vocês se perguntam quais leis me amparam para ter atendimento médico/psicológico digno e humanizado?!
Pois aqui estão elas:

—> PORTARIA Nº 1.820, DE 13 DE AGOSTO DE 2009

PORTARIA Nº 1.820, DE 13 DE AGOSTO DE 2009
Dispõe sobre os direitos e deveres dos usuários da saúde.
O MINISTRO DE ESTADO DA SAÚDE, no uso das atribuições previstas no inciso II do parágrafo único do art. 87 da Constituição, e
Considerando os arts. 6º e 196 da Constituição Federal;
Considerando a Lei n° 8.080, de 19 de setembro de 1990, que dispõe sobre as condições para a promoção, a proteção e a recuperação da saúde a organização e funcionamento dos serviços correspondentes;
Considerando a Política Nacional de Humanização da Atenção e da Gestão do SUS, de 2003, do Ministério da Saúde; e
Considerando a Política Nacional de Gestão Estratégica e Participativa no SUS, de 2007, do Ministério da Saúde, resolve:
Art. 1º Dispor sobre os direitos e deveres dos usuários da saúde nos termos da legislação vigente.
Art. 2º Toda pessoa tem direito ao acesso a bens e serviços ordenados e organizados para garantia da promoção, prevenção, proteção, tratamento e recuperação da saúde.
Art. 3º Toda pessoa tem direito ao tratamento adequado e no tempo certo para resolver o seu problema de saúde.
Art. 4º Toda pessoa tem direito ao atendimento humanizado e acolhedor, realizado por profissionais qualificados, em ambiente limpo, confortável e acessível a todos.
Parágrafo único. É direito da pessoa, na rede de serviços de saúde, ter atendimento humanizado, acolhedor, livre de qualquer discriminação, restrição ou negação em virtude de idade, raça, cor, etnia, religião, orientação sexual, identidade de gênero, condições econômicas ou sociais, estado de saúde, de anomalia, patologia ou deficiência, garantindo-lhe:
I – identificação pelo nome e sobrenome civil, devendo existir em todo documento do usuário e usuária um campo para se registrar o nome social, independente do registro civil sendo assegurado o uso do nome de preferência, não podendo ser identificado por número, nome ou código da doença ou outras formas desrespeitosas ou preconceituosas;

Fonte: Ministério da Saúde do Brasil
Nunca se esqueça do seus direitos como cidadão. Seja quem você quer ser!!!

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Vitor Vicente

Vitor Vicente

Colunista - Coluna Vitor Vicente

Formado em Capelania Social pelo IDICAB, estudante de Enfermagem, Morador de Londrina e apaixonado por escrever e se manter atualizado no mundo.

As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor, não refletindo necessariamente a opinião institucional do Coletivo Movimento Construção – Parada LGBTI+ de Londrina. 

Para sugestões de pautas a redação, envie um e-mail para [email protected]