Já dizia a lendária Rita Lee que sexo é esporte, escolha, cinema, poesia… E é mesmo! Mas sexo também precisa ser cuidado. E não só o cuidado afetivo com a pessoa que está dividindo o momento com você – por que precisa, né?! -, mas também cuidados com a sua saúde e des crushes.
Por isso, mesmo em tempos de pandemia do Covid-19, precisamos falar sobre os cuidados durante o sexo. E hoje meu papo vai ser com a mulherada, pra gente chegar junta e falar sobre como ter uma transa segura.
Afinal, quando nossa rotina voltar ao normal – porque vai – e o contato estiver liberado, continuará sendo importante mantermos a saúde em primeiro lugar, inclusive levando os cuidados no sexo a sério.
Então, vamos juntas BIloveds, que nossa missão de hoje é complexa, mas não impossível!

Chega do mundo ser falocêntrico!
Às vezes parece que o mundo do sexo foi todo feito para os homens, não é? E foi mesmo. Segundo a médica familiar Thais Machado Dias a maioria dos dispositivos que temos disponíveis até hoje para prevenção de ISTs (Infecções Sexualmente Transmissíveis) são focados no sexo com pênis, o que torna muito mais difícil que a transa entre mulheres tenha uma boa prevenção.
Os materiais mais comuns que temos hoje para promover cuidados nos atos sexuais entre mulheres são na verdade adaptados de um sexo heteronormativo, como é o caso da utilização de preservativos masculinos com cortes específicos para realizar o sexo oral ou até mesmo improvisações com plástico filme como proteção de barreira.
A verdade é que quando se trata de sexo oral, o mercado deixa uma grande brecha descoberta, sem muitas opções acessíveis para a prevenção de ISTs. Mas calma, nós vamos conversar sobre isso mais pra frente. 😉

#1 – Já deu aquela cortada na unha?
Não adianta, quando falamos de sexo entre mulheres, o corte das unhas, por mais bobo que possa parecer, é muito importante.
No contato dedo-vulva manter as unhas compridas pode causar um enorme desconforto e até machucar a parceira. Mas mais do que isso, o não-corte das unhas pode gerar lesões que expõem a vulva, facilitando a contração de ISTs.
Por isso, cortar as unhas não é só um cuidado para não machucar a sua companheira, mas também para manter a saúde em dia.

#2 – Sexo oral: como dança essa dança?
Quando falamos do sexo oral entre mulheres, o maior risco do contato desprotegido é o contágio para clamídia, gonorréia, HPV, herpes, sífilis, HIV e tricomoníase.
Nessa dança, uma proteção indicada é a utilização do Dental Dam, uma folha de látex com tamanho aproximado de 15cmX15cm, que funciona como uma proteção de barreira entre a vulva e a boca. Porém, esse ‘dispositivo’ possui um valor elevado e sua compra no Brasil é realizada, na grande maioria das vezes, pela internet.
Por isso, uma outra boa alternativa é a utilização de um preservativo masculino cortado na ponta e na lateral. Com esse corte é possível esticar o preservativo e utilizá-lo como uma barreira de proteção entre a língua e a vulva, o que possibilita uma boa cobertura.

#3 – Na hora da tesourada
Quando falamos no contato vulva com vulva os riscos de contágio sem proteção incluem HPV, herpes, sífilis, cancróide, clamídia, gonorréia, HIV e verrugas genitais.
Neste caso, devido ao atrito envolvido na ação, não há proteção de barreira realmente eficaz entre as mucosas, sendo a prática mais segura manter relações exclusivas e fazer testes de ISTs regularmente – que falaremos mais adiante -, além, é claro, de ficar de olho em qualquer mudança nas suas partes íntimas e procurar ajuda quando necessário.

#4 – Dedos em contato
O contato de dedo-vulva e dedo-ânus também exige cuidado. Aqui é possível utilizar luvas ou dedeiras de látex.
Caso alguma das envolvidas possua alergia a látex, é essencial manter a higienização correta das mãos antes e depois do sexo manual. Afinal, caso os dedos sejam inseridos sem os cuidados necessários, existe a possibilidade de transmissão de HIV e hepatite B ou C, principalmente em situações onde haja contato de sangue (através de cortes, machucados ou durante o período menstrual, quando os riscos aumentam).

#5 – Brinquedos sexuais
Ao utilizar brinquedos sexuais é necessário prestar atenção na higienização desses objetos. O recomendado é que eles sejam higienizados com álcool 70% antes da inserção em uma parte diferente do corpo (ao alternar entre vulva e ânus, por exemplo) e também antes de revezar com a parceira.
Utilizar preservativos nos brinquedos também é muito importante, sem esquecer, é claro, de trocar o preservativo a cada vez que haja o revezamento.

#6 – Sexo entre mulheres não é só quando tem vulva
Não é porque se tem vulva que se é mulher e nem quer dizer que quando não se tem, não o seja. Ser mulher é muito mais do que a formação biológica de um corpo e por isso, o sexo entre mulheres vai muito além daquele que acontece apenas entre duas vulvas.
O sexo que envolve mulheres trans também exige cuidados quanto à higienização dos dedos antes e depois da penetração, usar proteção no sexo oral e também durante a penetração peniana.
Tomar os cuidados corretos e adotar todas as medidas necessárias para manter a relação sexual segura para você e sua(s) parceira(s) é essencial, inclusive durante o sexo anal.

Tem que se cuidar o ano todo, viu?
Não é só na hora do sexo que os cuidados com sua saúde sexual devem acontecer. Visitas periódicas – normalmente anuais – à ginecologista são um dos pontos-chave para a manutenção da saúde sexual de mulheres que transam com mulheres.
É essencial ter os exames de ISTs feitos nos períodos corretos, além do exame de papanicolau e outros cuidados necessários que uma profissional especializada poderá auxiliar com assertividade para manter seu corpinho e das suas parceiras em perfeito estado.
O diálogo também é um trunfo para manter a saúde em dia. Afinal, conversar abertamente com sua parceira sobre sexo também é uma forma de demonstrar cuidado com ela e com você mesma. Sinceridade e preocupação com a saúde são dois pedidos incríveis no quesito consciência na transa entre mulheres.

É, a Rita estava certa mesmo, sexo é uma delícia, mas todo sexo, mesmo os casuais precisam ser acompanhados de amor próprio e responsabilidade com a próxima. Manter sua saúde em foco na hora da transa é essencial e faz com que você aproveite o momento com muito mais segurança e despreocupação.
Se eu fosse você salvava o link aí para que quando a quarentena acabar, você esteja prontíssima para aproveitar tudo de bom que o sexo com sua(s) crush(es) pode oferecer!

Se você tem uma ideia de conteúdo massa ou dúvidas sobre nossas postagens, é só deixar um comentário aqui ou mandar nas redes sociais da Parada LGBT de Londrina 🙂

Até mais, BIloved!

Giovana Silveira

Giovana Silveira

Colunista - Coluna Biloved!?

As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor, não refletindo necessariamente a opinião institucional do Coletivo Movimento Construção – Parada LGBTI+ de Londrina. 

Mais de Biloved!?

Tá achando que B é bagunça?

Tá achando que B é bagunça?

Quem nunca ouviu que bissexual é bagunça, com certeza foi um ser humano privilegiado nesse mundo. Não é mesmo?! Quando se trata da bissexualidade, o que não falta são opiniões e inúmeros preconceitos e mitos, produzidos e reproduzidos não só na sociedade como um todo...

Mais colunas

Habemus farofa – e das boas!

Habemus farofa – e das boas!

Oi, menine! Tá boa, santa? Depois de um longo e tenebroso inverno no deserto da música pop contemporânea, fomos todas, todos e todes contemplados com farofa da melhor qualidade. Em tempos de pandemia e isolamento social, Lady Gaga com o seu Chromatica reafirma o poder...

Negro? Candomblecista? Na escola NÃO.

Negro? Candomblecista? Na escola NÃO.

Nessa última semana, em diversos países pelo mundo, as pessoas se mobilizaram em protestos diante dos crimes de racismo e discriminação cometidos contra os negros, em especial no caso de George Floyd. Ele, afro-americano, morreu em 25 de maio de 2020, vítima do Estado...

Leia mais

Brasil registrou 124 assassinatos de transgêneros em 2019

Brasil registrou 124 assassinatos de transgêneros em 2019

Em 2019, pelo menos 124 pessoas transgênero, entre homens e mulheres transexuais, transmasculinos e travestis, foram assassinadas no Brasil, em contextos de transfobia. Os dados estão no relatório da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra) divulgado no...

Para sugestões de pautas a redação, envie um e-mail para [email protected]