Reprodução: Quebrando Tabu
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No contemporâneo visualizamos discursos e posicionamentos permeados pelo ódio, pela intolerância e pelo preconceito com pessoas LGBTI+. Vamos compreender um pouco desses três elementos:
Que ódio é esse? Um ódio que se coloca pelos olhos. Um olhar que odeia o que é diferente, mas também um olhar que não suporta ver a felicidade do outro. É possível perceber que não é suficiente ter raiva para odiar, é preciso que exista uma forma específica de olhar para os outros. A construção do ódio talvez esteja associada ao fato de ver o outro como diferente, maléfico, imoral ou com diversas semelhanças. O que pode existir tanto no outro que te gera tantos incômodos? Será que olhar alguém, faz você se olhar?
Que intolerância é essa? A intolerância que vem de não tolerar a singularidade do outro, uma intolerância de querer impor as suas próprias crenças, convicções e de soprar sobre os outros as supostas verdades que são ditas como absolutas. Que verdade é essa que não te faz respeitar a individualidade que cada um tem?
Que preconceito é esse? O preconceito que encontramos em atitudes, palavras e olhares. Preconceitos carregados de estereótipos, discriminações e normatizações. Conceitos rígidos e internalizados que são transmitidos socialmente. Preconceitos que geram violências físicas e psicológicas.
A LGBTIfobia é o termo para unir os tipos específicos de discriminação e violência e que tem como etimologia a palavra grega phóbos, que nomeia a sensação de medo, terror ou aversão com a sigla LGBTI, uma vez que o medo é uma sensação, convicção e atitude auto protetiva diante de algo imaginário (pesadelos / fantasias) ou real (ameaça / coação física ou psicológica). Tal fobia pode se derivar também sobre uma aversão ao “diferente” (considerando-se que exista algum padrão referente à maioria) por razões religiosas, morais, de tradição ou senso comum teórico.
Na trajetória profissional de ouvir pacientes LGBTI+ na clínica, eu tive a sensibilidade de perceber como muitos se escondem, se apagam, se fecham e não conseguem enxergar tantas possibilidades em suas histórias de vida marcadas por lutas. Possibilidades de amar, de se aceitar e de se libertarem das diversas amarras que são impostas desde o começo de suas vidas. São cordas que podem e precisam ser desfeitas.
E mesmo diante deste cenário atual movido por tantas cores escuras, é necessário enxergar as cores que existem em você que é LGBTI+. Cores que só podem ser vistas por você! Cores da sua subjetividade, da sua história, da sua sexualidade, da sua identidade. Cores que dizem a respeito do que você é. Os tempos escuros não podem determinar ou condicionar a sua felicidade.
“Um novo tempo há de vencer e ninguém vai poder querer nos dizer como amar, já cantava Johnny Hooker e Liniker na música: Flutua. ”
Você pode ser quem você quiser ser e tem o direito de amar como desejar e ninguém tem o direito de impedir que você seja feliz!
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Jorge Matheus Simões
Colunista - Coluna JM
Formado em Psicologia pela Faculdade Pitágoras, faz especialização em Ensino de Sociologia pela UEL – Universidade Estadual de Londrina. Trabalha como psicólogo clínico atendendo adultos, casais e famílias. Colunista, escritor e pesquisador em temas que envolvem a sexualidade humana e a população LGBTQI+.
As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor, não refletindo necessariamente a opinião institucional do Coletivo Movimento Construção – Parada LGBTI+ de Londrina.