
O medo e a ansiedade permeiam a vida humana em diversos momentos, desde o nascimento quando saímos de um lugar que até então era seguro, até a primeira vez na escola, o primeiro dia de trabalho, a entrevista de emprego, o primeiro beijo, as relações sexuais e as nossas escolhas que fazemos ao longo da vida. Vivemos em tempos onde a intensidade disparada e vivenciada de tudo isso é real: a angústia vem e ela é sempre um afeto que não mente. Quando pensamos na nossa vida, estamos vivendo ou sobrevivendo? Talvez este seja um tempo favorável de refletirmos o que temos feito neste lugar que chamamos de vida. O que tenho dito, o que tenho escolhido, o que tenho amado e também o que tenho deixado de fazer e viver.
Qual é a parte da minha vida que eu ainda posso ainda colorir?
“A vida é maravilhosa se você não tem medo dela.” Charles Chaplin
Quando a gente se depara com o medo, identificamos o quanto que o medo em uma medida certa, deve ser entendido como uma função do comportamento humano saudável, necessária e imprescindível para a proteção do ser humano diante dos perigos que o rodeiam. Quais eram os medos que circulavam a sua infância? O medo do escuro? O medo dos filmes de terror? O medo das assombrações? Medos, muitas vezes atrelados a tantos monstros que nos aterrorizam até o fim da nossa existência. Quem nunca sentiu medo que atire a primeira pedra. Como tudo na vida, o medo também requer uma dose ideal de equilíbrio: nem demais, nem de menos, apenas adequado para a prevenção de perigos iminentes. Escuto pessoas que trazem em seus discursos o medo como paralisador da vida, como se o medo fosse maior que a própria vida, a pessoa fica parada, bloqueada, presa e condicionada a ficar no mesmo lugar. Esse é um dos efeitos nocivos do medo, ele acaba conduzindo a sua vida no seu lugar. Eu penso que falar de medos no momento atual, onde algo invisível desperta os nossos olhos, pois tem o poder de retirar as nossas existências, um vírus do qual é temido, falado, discutido e comentado é também ter a possibilidade de repensar a própria existência, o próprio tempo e a dinâmica das nossas relações. Famílias que tinham distâncias físicas, que carregavam medos e muita solidão vivem hoje um tempo de se olharem juntos dentro de suas casas.
Falar sobre medos é também pensar sobre as ansiedades que circulam as nossas vidas. O medo e a ansiedade é como se morassem na mesma casa, eles formam uma parceria tão íntima que não há possibilidade de imaginarmos ou sentirmos um sem o outro. O medo é esse sentimento de grande inquietação ante a noção de um perigo real ou imaginário.
Já o significado de ansiedade identificamos como uma sensação de receio e de apreensão, sem causa evidente, sinônimo de ânsia e aflição, perturbação causada pela incerteza ou pelo receio. Sempre que o medo está presente, a ansiedade se revela em plenitude, seja por sinais físicos ou em sintomas psíquicos. O grande problema é quando essa dupla de parceiros que moram na mesma casa foge de um padrão equilibrado e se tornam incontroláveis. Não guarde tudo para si. Não se feche em si mesmo. Não desista de você. Busque ajuda!
Encerro o texto de hoje com essa música clássica da Katy Perry: Firework. É um hino de coragem e de enfrentamento para todos nós!
“Querido (a) você é um fogo de artifício, vamos, deixe suas cores explodirem! Você não tem que se sentir como um desperdício de espaço, você é original e não pode ser substituído, se você soubesse o que o futuro guarda, depois de um furacão vem um arco-íris.”
(Katy Perry – Firework – 2010)

Jorge Matheus Simões
Colunista - Coluna JM
Formado em Psicologia pela Faculdade Pitágoras, faz especialização em Ensino de Sociologia pela UEL – Universidade Estadual de Londrina. Trabalha como psicólogo clínico atendendo adultos, casais e famílias. Colunista, escritor e pesquisador em temas que envolvem a sexualidade humana e a população LGBTQI+.
As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor, não refletindo necessariamente a opinião institucional do Coletivo Movimento Construção – Parada LGBTI+ de Londrina.
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