William Shakespeare disse uma certa vez: “o amor não se vê com os olhos, mas com o coração. ” De fato, o amor acontece e ele existe para todos. O amor não é destinado apenas para algumas pessoas: todo mundo tem o direito de amar e de ser feliz com quem quiser!
Quem me conhece sabe que eu sou apaixonado por histórias de amor e eu sempre acreditei que quando elas são compartilhadas, são transformadoras. E hoje, quero fazer uma travessia na história de Diego e Rafael: duas vidas que se conheceram e decidiram fazer uma história de amor real e inspiradora.
Quando tudo começou?
Curtidas no Instagram e depois o Diego foi falar com o Rafa pelo Facebook. Trocaram telefones, conversaram por mais de 3 horas. Estavam a 1000km de distância – fisicamente -, porém vivendo o mesmo momento. Passaram a ser, um para o outro, o que faltava. Se completavam de uma forma assustadora. Diego fazia Medicina, Rafa fazia Arquitetura, cursos diferentes, lutando para sobreviver diante dos medos, angústias, provas e incertezas. Em 1 mês, ainda sem se conhecerem pessoalmente, decidiram dar um nome ao que vinham sentindo e vivendo: amor. Começaram a namorar. Em 2 meses se conheceram pessoalmente e tiveram a certeza absoluta de tudo que vinha acontecendo. Durante a trajetória deles, acontece um fato que gera aprendizados: Diego e Rafael sempre foram próximos as suas avós maternas e ambas residiam em suas casas. Ao longo desses anos de relacionamento, ambos tiveram que se despedir delas. Com essas perdas aprenderam que a vida é fugaz, é breve, é única e que nunca haverá oportunidade de mudar o que se foi, mas que sempre podem mudar o que está por vir. Com isso, eles entenderam que jamais devem dormir brigados, chateados ou tristes. Compreenderam a importância de viver e valorizar o tempo do aqui e agora, afinal, não sabemos quanto tempo nos resta. E aqui vai uma lição para todos nós: porque deixar para depois se podemos fazer acontecer muitas coisas agora? O amor nos dá possibilidades, chances, oportunidades que muitas vezes perdemos, por não saber valorizar.
E como foi o pedido de casamento?
O Diego planejou tudo para pedir o Rafa em casamento. Eles iam fazer uma viagem para Santiago, no Chile e foi lá que tudo aconteceu. Em Santiago, eles haviam reservado um hotel, onde o quarto ficava no 36º andar, com uma vista deslumbrante para toda a cidade e as cordilheiras. Era um domingo, passaram o dia todo juntos e quando o dia já dava sinal de querer terminar, Diego chamou o Rafa para retornarem ao hotel, entregou a chave, ele abriu a porta, parou e ficou incrédulo. O quarto estava repleto de rosas vermelhas, por todos os lados e na frente deles, um pôr-do-sol extraordinário, a cidade estava laranja e as cordilheiras brilhavam. Entraram, e o Rafa não tinha entendido direito, só ria e agradecia. Quando ele se voltou para o Diego, ele estava de joelhos, com as alianças e ali ele fez o pedido mais importante da vida dele. Depois de muito choro, o sim veio! (Aqui eu abro um parêntese sobre a importância da nossa luta pelos direitos – desde o dia 14 de maio de 2013 o casamento gay no Brasil é um direito garantido.)
Eu quis trazer um pedaço da história deles para também colorir os nossos olhares diante dos nossos amores já encontrados ou aqueles que ainda estão por vir: não desista do amor, não desista de você e dele (a), não desista da sua jornada. A vida amorosa de todo LGBTQI+ é permeada de lutas e batalhas que podem ser vencidas: não desista de ser feliz! Eu me deparo constantemente com algumas pessoas que carregam em seus posicionamentos um medo de amar, de se entregar e de se permitir confiar em alguém – medos que paralisam os seus afetos. Amar é uma arte que exige coragem: a coragem de assumir quem realmente somos e amamos! Não fuja de si mesmo. Não fuja do amor. Ele pode estar em qualquer lugar, não se feche. Abra-se para as descobertas que o amor pode te fazer experimentar.

Agradeço ao Diego e ao Rafa por permitirem que eu compartilhe essa travessia que eles viveram. Desejo que vocês continuem espalhando o amor e essa energia incrível pelo universo.

“O amor é algo grande demais: ele não cabe em uma caixinha chamada padrão. ”

“Gente bonita mesmo é gente que sorri para a vida e agarra o amor. ”

“Espalhe o amor, ele pode curar todo preconceito. ”

“O amor é sempre a resposta. ”

Fotos porJeniffer Bueno

Jorge Matheus Simões

Jorge Matheus Simões

Colunista - Coluna JM

Formado em Psicologia pela Faculdade Pitágoras, faz especialização em Ensino de Sociologia pela UEL – Universidade Estadual de Londrina.  Trabalha como psicólogo clínico atendendo adultos, casais e famílias. Colunista, escritor e pesquisador em temas que envolvem a sexualidade humana e a população LGBTQI+.

As opiniões expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor, não refletindo necessariamente a opinião institucional do Coletivo Movimento Construção – Parada LGBTI+ de Londrina. 

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